Foto: Band Bahia

Comentário: o interior da Bahia ficou de fora no debate da Band; ouça

A Band Bahia sai na frente e foi o primeiro veículo a realizar o debate entre os candidatos ao governo da Bahia.

Com a presença de Kleber Rosa (PSOL), Jerônimo Rodrigues (PT) e João Roma (PT), Saúde, Educação e Segurança foram os temas mais debatidos. ACM Neto (UB) não foi e foi alvo dos três adversários, mas que também não centraram fogo no ex-prefeito para não dedicar tanto tempo a ele.

Mas faltou a discussão sobre a Bahia. Não vamos eleger o prefeito de Salvador no próximo mês de outubro, mas o governador do Estado. O interior ficou de fora em vários momentos. Centrou-se muito na RMS e na discussão sobre Bolsonaro.

Ouça a coluna Esse é o Ponto desta segunda-feira (8) no Bora Salvador da BandNews FM:

Foto: Band Bahia

Zé Ronaldo, no pós-luto, a peso de ouro

Preterido da escolha da vice de ACM Neto (UB), novela arrastada ao longo da última semana, o ex-prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (UB), apesar de ter saído com fogo pelas ventas da Avenida Garibaldi no dia do anúncio de Ana Coelho (Republicanos), adotou o voto de silêncio sobre os rumos futuros. Várias teorias foram lançadas, mas a oficial versa pela prioridade do Republicanos de Márcio Marinho a partir de um acordo nacional conduzido por Neto.

Alimentado pela esperança de fazer parte da composição da majoritária netista, mesmo sabendo que seu maior pecado foi ter não saído do partido, Zé do Sertão, como também é apelidado, se sentiu desprestigiado. Nomes do carlismo como o ex-governador Paulo Souto, o ex-deputado Emério Resedá, os deputados Sandro Régis e Arthur Maia foram alguns dos emissários flagrados em um restaurante da capital baiana na tentativa de demover qualquer sinalização de rompimento.

Todos os adversários de Neto fizeram acenos confiantes no desgaste político. De Jerônimo Rodrigues (PT) a João Roma (PL). O candidato de Bolsonaro foi mais incisivo no gesto de cooptação e chegou a lembrar do fatídico debate da TV Bahia de 2018 quando Zé anunciou voto em Bolsonaro para presidência da República, o que deixou Neto uma arara na época. O senador Otto Alencar (PSD), em entrevista recente à Band FM de Feira de Santana, também fez elogios ao feirense, mas descartou conversar com a liderança neste momento para não soar como oportunismo.

O voto de Feira de Santana é pesado. A segunda maior cidade do Estado e segundo maior colégio eleitoral pode até não decidir uma eleição concretamente, mas tem força para mudar percursos. Sabedor disso, ACM Neto deixou claro que respeitaria o tempo de Zé Ronaldo. Questionado na coletiva da sua convenção sobre o político, sugeriu aos jornalistas que perguntassem ao próprio, em um aceno de não deixar qualquer palavra que pudesse ser utilizada em um outro tom.

Para os mais próximos do ex-prefeito de Feira, a tese não passa pelo mero fisiologismo dos cargos, mas pelo prestígio político da sua trajetória. Contudo, apesar de não ter procedido pela escolha, ACM Neto nunca deixou de elogiar o político e, creio, buscará uma alternativa para recompensá-lo de outra forma, ainda na campanha e quiçá, caso logre êxito, em uma futura gestão. Outro ponto levantado versa para um eventual benefício na peleja proporcional que beneficie dois nomes aliados na disputa da Assembleia Legislativa da Bahia e da bancada baiana na Câmara Federal, ambos em partidos da base netista.

Zé Ronaldo está a peso de ouro e sai grande diante de todo esse cenário e, creio, pode ainda não ter se dado conta disso. Se torna figura chave dos próximos dias que antecedem o início oficial da campanha na rua, conforme o calendário da Justiça Eleitoral. A conferir.

  • Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba; especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da UCSAL. Atualmente é comentarista de política e apresentador na Band Bahia e BandNews FM. Também é colunista do Band Notícias BA e do jornal Tribuna da Bahia. Twitter/Instagram: @victordojornal
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Comentário: em que pé está a vice de ACM Neto na cotação do conclave; ouça

Fumaça preta na chaminé do Edifício Central Pinheiro, na Avenida Garibaldi, sede do União Brasil, em Salvador. O conclave não foi fechado, palavras do deputado federal Adolfo Viana (PSDB) à coluna Esse é o Ponto ao deixar as negociações encerradas às 22h30 da terça-feira (2).

Não se chegou, no tabuleiro, ao resta um. Ainda três nomes estão no páreo: a vereadora de Serrinha Edylene Ferreira (Republicanos), o deputado federal Adolfo Viana (PSDB) e o ex-prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (UB). Os deputados Marcelo Nilo (Rep) e Márcio Marinho (Rep) estão descartados.

Buscam uma equação para não desamparar Nilo na viabilidade do seu mandato na Câmara Federal, visto que ele, tão confiante que seria o vice, distribuiu seus votos no mês passado.

O Republicanos é o principal empecilho para a resolução. A pedida da cadeira é deles. Querem insistir no nome de Edylene. Nesse cenário, pelo apurado, há um peso: a simpatia do prefeito de Salvador, Bruno Reis (UB). Essa tática pavimenta acordos que podem respingar em 2024 na disputa do Palácio Thomé de Souza.

Em dado momento da noite, os cardeais saíram da sala de ACM Neto em silêncio. São eles: Elmar Nascimento (UB), Leur Lomanto Júnior (UB), Paulo Azi (UB) e Adolfo. Esses quatro, conforme informações de bastidores, teriam argumentado em favor do tucano na ocupação da cadeira da vice no detrimento ao Republicanos. Todos, depois, rumaram para um restaurante na Graça para continuarem as conversas.

Zé Ronaldo (UB), amplamente especulado como nome já certo, seria um quadro de terceira via do consenso. Até então, o único partido que se opõe diretamente é a sigla da Igreja Universal. O ex-prefeito de Feira reúne todas as qualidades para o posto, mas cometeu o pecado de não sair do União Brasil. Uma chapa pão com pão, em um arco de nove siglas aliadas, soa, no mínimo, estranho na fotografia.

Na saída do edifício, ACM Neto (UB) e Bruno Reis (UB) garantiram que não havia nada decidido, pois ajustes ainda precisavam ser arranjados. Neto afirmou que a quarta-feira (3) seria longa.

Ouça o comentário no programa Bora Salvador da BandNews FM nesta quarta-feira (3):

Foto: Band Bahia

Comentário: Ausência de candidato no debate desagrega o processo democrático; ouça

O debate é um momento precioso do processo eleitoral. A ausência de um candidato desagrega a festa da democracia e do jogo benigno da troca de ideias. A Band, com seu compromisso jornalístico, realiza o primeiro debate com os postulantes ao governo da Bahia no próximo domingo, dia 7, 21h.

O pré-candidato ACM Neto (UB) não mandou representante para a última reunião e não confirmou presença, mas pode procedê-la até a sexta-feira (5). Apesar de dizer que não acrescentaria a sua campanha a ida, para o processo democrático, de fato, acrescenta.

O senador Alessandro Vieira, de Sergipe, apresentou um projeto de lei oportuno de obrigar os candidatos a presidência e ao governo de participarem dos debates com riscos de serem penalizados.

Ouça o comentário da coluna Esse é o Ponto no Bora Salvador desta terça-feira (2), na BandNews FM:

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ACM Neto, o PT e o acordo do fim do mundo na Bahia

Não se falou em outro assunto nos últimos dias do que a possibilidade do União Brasil, partido de ACM Neto (UB), declarar apoio oficial ao ex-presidente Lula (PT) na corrida presidencial. Seria uma espécie de acordo do fim do mundo. O assunto reverberou quando a imprensa nacional apontou o pedido da eventual retirada da candidatura de Jerônimo Rodrigues (PT) em troca desse auxílio rascunhado.

Nos bastidores da convenção petista no Parque de Exposições, no sábado (30), não havia outro tema no pé do ouvido; na coletiva com os candidatos, Rui Costa (PT) vociferou e provocou, com razão, contra os adversários ao ponto de não deixar espaço nem ao candidato a governador responder sobre o tema. “Se quiser ser governador, tem que disputar a eleição. Eu sei que está sendo difícil andar pelo interior. Está sendo fiasco atrás de fiasco. Não tem jeito de ser governador sem disputar a eleição”, berrou o ainda chefe do Executivo.

Se, de fato, ACM Neto esteve por trás desse movimento, deu um tiro no pé, principalmente pela munição dada aos adversários mais fervorosos que não mediram os ataques. Outro extremamente irritado com a repercussão foi o senador Jaques Wagner (PT). O petista aponta, acertadamente, na linha lógica, que se o assunto tivesse prosperado, iria escancarar uma falta de confiança de vitória daquele que tem liderado as pesquisas de intenção de votos até então. Se a garantia da campanha está posta, o tapetão não se faz necessário.

Outra hipótese aventada por uma corrente do próprio UB contrária ao apoio a Lula justifica que Neto poderia ter feito a ponderação baiana para justamente a negociação não avançar, jogou o valor mais alto do avaliado, visto ser o interesse dele manter o partido neutro da contenda presidencial, pois atrapalha sua estratégia e modificaria seu discurso.

Durante esse meio tempo das notícias e das conversas com algumas fontes, analisei ser muito difícil conceber a retirada da candidatura do PT ao governo da Bahia, por mais que o cenário nacional estivesse em jogo. Era jogar na lata do lixo todo o trabalho realizado até aqui. Cenários inimagináveis, difícil até para as previsões à lá Madame Beatriz.

Seria uma intervenção absurda por parte do nacional ceder esse tipo de pressão de “pseudoaliados”, apesar de todos saberem da preocupação de Lula somente com a sua eleição. Deflagrariam um tiro no peito de um diretório do PT do estandarte da oposição durante esses quatro anos, locomotiva do Nordeste e meca do partido quando se precisa mostrar cases de sucesso em pelejas eleitorais acirradas no xadrez regional. O PT nacional precisou emitir uma nota para desmentir o caso baiano tamanha a repercussão.

Ficou exposta a contenda interna do União Brasil, entre Luciano Bivar e Neto. Como bem apontou o Valor no fim de semana, isso só mostra a queda de braço interna que se avizinha em 2023. Bivar, abdicador da corrida ao Planalto, tinha o interesse de caminhar em cima de pau e pedra em apoio a Lula com olhos na presidência da Câmara Federal no próximo ano e, mais do que isso, realizar um desejo pessoal de derrota ao bolsonarismo, fato não consumado.

No fim das contas, diante da celeuma, na Bahia, tudo como dantes no Quartel d’Abrantes. Todo mundo segue no seu quadrado para jogo, apesar de uma boa sacudida na roseira.

  • Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba; especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da UCSAL. Atualmente é comentarista de política e apresentador na Band Bahia e BandNews FM. Também é colunista do Band Notícias BA e do jornal Tribuna da Bahia. Twitter/Instagram: @victordojornal
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Comentário: Nilo é alvo da militância do PSOL; ouça

O deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos) tem vivido uma inferno astral. Após ter sido preterido da vice de ACM Neto (UB), ele agora é alvo da militância do PSOL. Pressões virtuais têm sido feitas contra o deputado baiano, pois ele é o relator da representação no Conselho de Ética da Câmara Federal que pede a cassação do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) após uma discussão com o presidência da Câmara Federal, Artur Lira (PP-AL). Cards e comentários em publicações de Nilo nas redes sociais surgem aos montes.

Ouça a coluna Esse é o Ponto no Bora salvador da Rádio BandNews FM:

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Comentário: nova briga pela vice de ACM Neto bagunça o coreto; ouça

Quem achava que Marcelo Nilo (Republicanos) seria o escolhido para vice de ACM Neto (UB) caiu do cavalo, inclusive esse colunista. Numa postura Band News que em um segundo tudo pode mudar, o cenário da composição sofreu uma balançada de coreto e novos nomes surgiram na disputa.

Confira a coluna Esse é o Ponto com o jornalista Victor Pinto que foi ao ar no Bora Salvador da BandNews FM:

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Comentário: Lídice quer aproximar Alckmin do PIB da Bahia; ouça

Tão logo entrou no PSB, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, era tido como um estranho no ninho. O político faz parte da chapa do ex-presidente Lula (PT) na corrida presidencial deste ano. Querendo aproximação e fazer a ponte do novo colega de partido com a Bahia, a senadora Lídice da Mata (PSB) vai se encontrar com Alckmin nesta semana, em Brasília. Quer aproximá-lo ao empresariado baiano.

Confira o comentário na coluna Esse é o Ponto no Bora Salvador desta terça-feira (26):

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Como tirar um sorriso de Rui Costa

O governador Rui Costa (PT) segue animado com a possibilidade de Lula (PT) ser presidente da República e assim fazer parte da composição da Esplanada dos Ministérios, algo não escondido das declarações do cacique petista.

Foram várias as vezes que Rui fez questão de citar a conversa com o ex-presidente e dizer que estava preparado para criar suas galinhas – que estão no Palácio de Ondina – em uma fazenda no interior baiano. Lula, narra o governador, de pronto, disse que ele teria ainda muito a contribuir com o Brasil.

Mas a relação dos dois não foi só de paz. Quando esteve preso, na sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR), Lula ficou possesso com as declarações de Rui na imprensa de repercussão nacional sobre um processo de renovação do PT. Nas entrelinhas, na época, inclusive escrevi um artigo apoiando o ponto de vista do governador, era necessário pensar em novos quadros da sigla para promover um novo ciclo. Rui se portava como um estandarte do movimento, pois tinha a esperança de ser candidato a presidente. Resultado: não colou e Lula está vivíssimo ainda segurando o PT.

De lá pra cá, muitos cenários mudaram e os dois, pelo visto, apararam as arestas. Os encontros, sem intermediários, foram mais frequentes. Rui, no Nordeste, assumiu um protagonismo necessário nesse tempo bolsonarista no Planalto. O PT conseguiu se manter com base firme, no grosso considerável do eleitorado nordestino, apesar das lideranças do eixo do sudeste se acharem os paladinos da política e olharem para a região como ameaça à hegemonia que sempre predominou do ABC Paulista.

Depois desse preâmbulo, vamos à história que nutriu o título desse artigo: dois deputados, na Assembleia Legislativa, conversavam sobre suas viagens para o interior nos eventos governistas. Eu presenciei e acompanhei atentamente esse bate-papo. Um deles afirma: “Descobri o melhor modo para tirar um sorriso de orelha a orelha de Rui”. O outro: “Então me conte essa proeza”. O primeiro explicou: “Essa história de chamar o cara de governador, já no final de mandato… Eu já chamo ele de ministro. Ele fica cheio de vida. Ele está vindo de lá e eu já digo de boca cheia: ‘Diga, Ministro!’. Pronto. Felicidade na certa”. Todos caíram na gargalhada.

A sobrevivência política de Rui depende de dois fatores. As eleições de Jerônimo Rodrigues ao governo e de Lula ao Planalto. Mais de Lula do que de Jerônimo.

Vejamos: quatro cenários possíveis. 1. Jerônimo ganha e Lula ganha; ou 2. Jerônimo perde e Lula ganha. Esses são os dois melhores cenários para Rui, principalmente o primeiro. 3. Jerônimo ganha e Lula perde. Aqui o desenho não é tão bom, Rui teria que se tornar alguém dependente do seu sucessor, e onde criador e criatura estão a tendência de dar briga é alta. 4. Jerônimo perde e Lula perde. O pior desenho de todas as cartas na mesa para ele. Ser candidato a prefeito de Salvador em 2024 é uma saída para tentar ficar vivo na política.

A forma intensiva do trabalho do governador nas eleições dará o tom do compasso seguido pela chapa majoritária. Peças do xadrez ligadas diretamente a Rui já estão no tabuleiro. Será, para ele, um jogo de tudo ou nada, inclusive para tentar ser um criador com sua criatura, do mesmo modo daquilo feito por Jaques Wagner (PT).  Inclusive o próprio JW, em entrevista à Band Bahia, disse que entre os dois optaria por seu afilhado na indicação de um eventual ministério de Lula. A conferir.

  • Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba; especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da UCSAL. Atualmente é comentarista de política e apresentador na Band Bahia e BandNews FM. Também é colunista do Band Notícias BA e do jornal Tribuna da Bahia. Twitter/Instagram: @victordojornal
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Comentário: Caetano no comando da campanha de Jerônimo gera apreensão de deputados; ouça

Na coluna Esse é o Ponto, no programa Bora Salvador da rádio Band News FM desta quinta-feira (21), o jornalista Victor Pinto comenta a futura saída de Luiz Caetano da secretaria das Relações Institucionais para a coordenação de campanha de Jerônimo Rodrigues (PT) ao governo da Bahia. Alguns deputados estão apreensivos com esse poder todo, pois a esposa do ex-prefeito de Camaçari, Ivoneide, é pré-candidata a deputada federal.

Ouça o comentário:

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Comentário: Nilo é o mais cotado para a vice de ACM Neto; ouça

Na coluna Esse é o Ponto, no programa Bora Salvador da rádio Band News FM desta quarta-feira (20), o jornalista Victor Pinto acredita que o contexto político tem favorecido a indicação de Marcelo Nilo (Republicanos) para ocupar o cargo de vice na futura chapa de ACM Neto (UB). Contudo, outros três nomes estão na disputa: Márcio Marinho, Edylene Ferreira, ambos do mesmo partido de Nilo, e Zé Ronaldo (UB).

Ouça o comentário:

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Os contornos de Cocá, Rui e Jequié

Saiu do campo da política a batalha travada pelo governador Rui Costa (PT) contra o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), o também presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB). A briga, antes velada, ganhou novos ares e descamba para uma seara pessoal em proporções significativas ao ponto de Rui chorar na cidade de Lafaiete Coutinho. Soou em tom de desabafo o seu recente discurso ao mandar vários recados ao antigo aliado, mesmo sem citá-lo.

“Isso não é política. Isso é humanidade. Isso é respeito ao ser humano. Como é que alguém pode se dizer que é amigo de outro e deixar a pessoa em pé em uma barraca, mentindo (…). Fiquei noites e noites conversando com minha esposa, dizendo ‘não é possível um negócio desses’. Minha mãe dizia que você conhece as pessoas com o tempo. Só o tempo mostra o caráter das pessoas”, afirmou na cidade a qual Cocá havia sido prefeito.

Vejamos: o pepista, então deputado estadual, venceu o pleito de 2020 em cima de pau e pedra das brigas travadas por Rui Costa e aliados com o intuito de impulsioná-lo, além de também ter ganhado a simpatia da filha ilustre da terra, a primeira-dama Aline Peixoto. Uma combinação perfeita e de estratégia administrativa na busca do desenvolvimento do município com um modelo padrão de investimentos. Foram várias as ações empreendidas pelo Estado no município em meio a ciumeira dos demais prefeitos.

A eleição da UPB foi a cereja do bolo de uma relação até então tranquila. Contudo, Cocá, conforme alguns mais chegados, sempre deixou clara a sua posição partidária de ser do PP e ter em João Leão (PP) a figura do líder político.

No racha do PP com a base, Rui esperou Cocá ao seu lado, mas não foi o acontecido. O pepista também rachou. A demonstração soou tamanha, que na coletiva de anúncio da adesão de Leão ao grupo de Neto, ele esteve no palco principal, em destaque, ao lado do prefeito de Salvador, Bruno Reis (UB).

Novos contornos dessa briga surgiram nesta semana após uma lista atribuída pelo governador como falsa constar a relação de vários convênios com prefeituras cancelados por parte do governo. Cocá virou protagonista, após ter sido procurado pelos prefeitos queixosos. A base de Rui subiu o tom: “O presidente da UPB está fazendo fake news no estado dizendo que vários convênios da Conder foram cancelados na Bahia. É mentira”, disse Luiz Caetano da Serin.

Para além do protagonismo atual do município no noticiário eleitoral, Jequié carrega um sentimento emblemático na história política da Bahia. Em 1911, por exemplo, o então Presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Aurélio Rodrigues Viana que, assumindo o governo daquele ano, decretou a mudança da capital do Estado de Salvador para Jequié, ocasionando imediata reação do governo Federal com um bombardeio no solo soteropolitano, conforme narra Silvio Batalha no livro Cartilha Histórica da Bahia. Dois ex-governadores e ex-senadores baianos também foram de lá: Lomanto Júnior – derrubou Waldir Pires na eleição de 1962 – e César Borges – ascendeu à vaga de candidato em 1998 por causa da morte de Luís Eduardo Magalhães.

Uma vitrine e tanta para Cocá. Rui tem buscado contra atacar ao colocar pré-candidatos a deputados estaduais e federais nas redondezas para diminuir qualquer poder de interferência do prefeito; realizou ao lado de Jerônimo Rodrigues (PT) uma vistosa edição do Programa de Governo Participativo (PGP) com o apoio da vice que é do PT e, creio, não medirá esforços, independente do resultado do pleito de Ondina, para derrubar o pepista do Executivo da cidade em 2024. Resta saber se continuará tendo força para tal.

  • Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba; especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da UCSAL. Atualmente é comentarista de política e apresentador na Band Bahia e BandNews FM. Também é colunista do Band Notícias BA e do jornal Tribuna da Bahia. Twitter/Instagram: @victordojornal
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Luiz Caetano deve deixar a Serin de Rui Costa nos próximos dias

Com a missão de coordenar a futura campanha geral de Jerônimo Rodrigues (PT) ao governo da Bahia, o secretário das Relações Institucionais, Luiz Caetano (PT), deve deixar o cargo nos próximos dias.

A proximidade do arranjo da campanha, cujo início acontece após o prazo das convenções, em meados de agosto, fez o núcleo petista buscar um nome com experiência e poder tocar as movimentações nos quatro cantos da Bahia.

Das fontes ouvidas, ninguém quer ter a digital na informação, pois o anúncio deve sair pelo próprio governador Rui Costa (PT), principal líder do processo. Contudo, elogiaram a escolha, dada a experiência do ex-prefeito de Camaçari e ex-deputado federal.

O nome mais cotado para ficar no lugar de Caetano é o de Elisa Pelegrini, chefe de gabinete.

  • Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba; especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da UCSAL. Atualmente é comentarista de política e apresentador na Band Bahia e BandNews FM. Também é colunista do Band Notícias BA e do jornal Tribuna da Bahia. Twitter/Instagram: @victordojornal

“E aí, quem ganha?”

Por mais que a campanha eleitoral não tenha começado oficialmente, as pessoas, antes alheias ao processo político, começam ligar suas antenas às escolhas futuras em outubro próximo. Apesar da distância, muitos buscam prever cenários e a inquietude para saber quem serão os vitoriosos aguçam os mais politizados e os consumidores de informações eleitorais através da imprensa ou das redes sociais. Muitos querem espremer do jornalista especializado em cobertura política uma síndrome de Madame Beatriz.

Beatriz Janovitch, conhecida como Madame Beatriz, conforme Nelson Cadena em artigo publicado em 2017, foi uma das mais famosas cartomantes de todos os tempos, que Jorge Amado imortalizou em Pastores da Noite. Chegou em Salvador, vinda do Recife, na década de 30. Se portava como quiromante apta “a rasgar o véu misterioso do futuro”. Acertava algumas e errava tantas outras. Um dos seus erros políticos foi ter previsto que ACM, o original (como frisa Mário Kertész) seria traído por aliados e não teria sucesso político nos idos da década de 50.

Mas Madame Beatriz, com toda sua fama, permanece até hoje, principalmente, na boca dos políticos mais velhos quando querem criticar ou brincar sobre algo referente a adivinhações ou previsões. Eu, particularmente, a descobri nas minhas entrevistas com o então candidato a governador da Bahia pelo MDB, João Santana, em 2018. Ele sempre a citava quando uma pergunta exigia um exercício de futurologia.

No atual contexto, com uma polarização nacional entre Lula (PT) e Bolsonaro (PL) e uma disputa baiana mais acirrada que perpassa ACM Neto (UB), Jerônimo Rodrigues (PT) e João Roma (PL) ao governo, tentar prever algo é uma atitude extremamente arriscada. Mas nós, jornalistas de política, por exemplo, quando chegamos em qualquer ambiente a pergunta que surge imediatamente é: “e aí, quem ganha?”.

Certa vez estava com um colega tomando um café em um shopping (e vale pontuar o absurdo da inflação que um expresso já está valendo um pacote de um café coado) discutíamos sobre pesquisas e os dados efusivamente. Uma senhora que estava ao nosso lado, prestou atenção e no final perguntou: “e aí, quem ganha?”. Fui em uma loja comprar uma camisa e quando a vendedora descobriu minha profissão, logo cravou: “e aí, quem ganha?”

Se as pesquisas, com bases científicas e estatísticas, flertam entre o erro e do acerto (2006 e 2014 erraram no governo baiano, mas acertaram em 2010 e 2018) – apesar de não balizarem os contextos, algo que um jornalista pode traduzir -, cravar nome de vitória corre o risco do descrédito. O pior para o político é ter o excesso de confiança e já tratar tudo ou todos como se já fosse o eleito.

Tendências e expectativas vão se desenhando de melhor maneira quando mais próximos estamos do pleito, mas qualquer sentimento do agora pode ser modificado em um estalar de dedos, ainda mais quando os aspectos externos podem provocar caminhos diferentes de escolha do voto. E mesmo com a proximidade e qualquer dado mais concreto, aquilo impresso pelos boletins de urna, representante da legítima vontade do povo, pode fugir de qualquer lógica. Não existe eleição ganha de véspera. Nas letras de João Sérgio (1978): Como será o amanhã? Responda quem puder…

  • Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba; especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da UCSAL. Atualmente é comentarista de política e apresentador na Band Bahia e BandNews FM. Também é colunista do Band Notícias BA e do jornal Tribuna da Bahia. Twitter/Instagram: @victordojornal