Foto: Lucas Figueiredo / CBF

Grupo G: como foram os adversários do Brasil nessa Data FIFA?

Ainda faltam cinco meses para a Copa do Mundo do Catar, mas a preparação das seleções já está na reta final. A Data FIFA encerrada nesta semana foi o penúltimo intervalo dedicado às seleções antes que elas se reúnam para o Mundial, em novembro. Embora o Brasil tenha feito apenas duas partidas, contra Coréia do Sul e Japão, vencendo ambas, essa janela internacional permitia quatro jogos e os países europeus aproveitaram esse encontro mais dilatado para dar o pontapé inicial para a Liga das Nações de 2022/23.

Começando pela Sérvia, que encara a seleção brasileira logo na estreia e disputa a “Série B” da Liga das Nações, sendo a única seleção classificada à Copa do Mundo na sua chave, ao lado de Eslovênia, Noruega e Suécia, e, por isso, favorita à promoção. No entanto, a águia conquistou apenas sete dos 12 pontos que disputou e amarga a vice-liderança do grupo, três pontos abaixo da Noruega.

Nessa Data FIFA, a Sérvia se destacou pelo controle de jogo, tendo mais posse de bola em todas as partidas – com média de 60%. Porém, é importante ressaltar que o nível de enfrentamento da Copa é diferente da “Série B” da Liga das Nações, então a Sérvia deve ter uma postura mais amena no Catar. Com esse domínio da bola, a equipe conseguiu uma eficácia ofensiva interessante, marcando um gol a cada 0,79 gols esperados*. Já a defesa não ajudou muito, levando um gol a cada 0,87 gols esperados.

É possível notar o equilíbrio da seleção sérvia, que não tem grandes estrelas, mas tem um coletivo bem encaixado, que pode impor dificuldades ao Brasil – ainda mais se considerarmos o nervosismo da estreia. Ouso dizer que só não estão na liderança de sua chave na Nations League porque o “Cometa” Haaland guardou cinco gols nesses quatro jogos e alavancou a Noruega ao primeiro lugar.

A Suíça, por sua vez, luta para não ser rebaixada no Grupo Dois, onde é lanterna, abaixo de Espanha, Portugal e República Tcheca. Com apenas uma vitória até aqui, o time foi econômico na criação, com apenas 4,04 gols esperados em quatro jogos e somente dois marcados. Ou seja, a equipe precisa produzir o suficiente para marcar dois gols para que realmente consiga fazer um. E isso é bem complicado para a seleção que teve o 4º menor número de finalizações certas da primeira divisão da Nations League, com apenas 11. A Suíça ainda é a seleção que menos dribla (7), segunda com mais perdas de bola (103) e sétima que menos troca passes certos (1301).

A defesa também vai mal. É a terceira mais vazada, com sete gols, mesmo tendo cedido oportunidades apenas para 5,13, gerando uma média preocupante de um gol sofrido a cada 0,73 gols esperados. Isso é ainda mais alarmante quando se nota que a Suíça é a seleção que mais sofreu finalizações certas (26) e a mais faltosa (28) da primeira divisão da Nations League. Tantos números negativos colocam a equipe como a dona da pior performance do campeonato até aqui, segundo o índice do site Footstats, que avalia o desempenho coletivo dos times.

Já a seleção de Camarões, assim como o Brasil, não aproveitou essa Data FIFA em sua totalidade. Estavam previstos dois jogos pelas eliminatórias da Copa Africana de Nações de 2023, mas a partida contra o Quênia foi cancelada e, por isso, os Leões jogaram apenas contra Burundi, vencendo por 1 a 0, com um gol de falta de Toko-Ekambi. Um repertório insuficiente para uma análise mais aprofundada sobre desempenho.

O Brasil segue como favorito na chave. Encarar o ferrolho japonês foi um importante teste e a seleção conseguiu a vitória, além de ter goleado uma Coréia do Sul fragilizada. De momento, a Sérvia parece oferecer mais perigo que a Suíça, mas a seleção da cruz vermelha ainda não deve ser descartada da briga pelo segundo lugar. Já Camarões aparece como “quarta força”, até pela dramática classificação à Copa, mas é capaz de arrancar pontos no Catar e tentar surpreender. Falta pouco tempo para ajustes. A Copa do Mundo é logo ali.

* A análise de Gols Esperados, também conhecida como xG, avalia a probabilidade de que determinada finalização resulte em gol. Para isso, são observados o local do chute, o tipo de ataque e do passe, além da parte do corpo responsável pela finalização.

  • William Tales Silva, 24. Jornalista. Repórter de esportes da TV Band Bahia. Autor do livro “[VAR] – A história e os impactos da maior mudança na aplicação das regras do futebol”, o primeiro sobre o árbitro de vídeo no Brasil, pela editora Footbooks/Corner. Já foi apresentador do Jogo Aberto da BandNews FM Salvador e teve oportunidades como apresentador do Jogo Aberto Bahia e comentarista da Série C do Brasileirão na TV Band Bahia.