Foto: Band Bahia

Comentário: o interior da Bahia ficou de fora no debate da Band; ouça

A Band Bahia sai na frente e foi o primeiro veículo a realizar o debate entre os candidatos ao governo da Bahia.

Com a presença de Kleber Rosa (PSOL), Jerônimo Rodrigues (PT) e João Roma (PT), Saúde, Educação e Segurança foram os temas mais debatidos. ACM Neto (UB) não foi e foi alvo dos três adversários, mas que também não centraram fogo no ex-prefeito para não dedicar tanto tempo a ele.

Mas faltou a discussão sobre a Bahia. Não vamos eleger o prefeito de Salvador no próximo mês de outubro, mas o governador do Estado. O interior ficou de fora em vários momentos. Centrou-se muito na RMS e na discussão sobre Bolsonaro.

Ouça a coluna Esse é o Ponto desta segunda-feira (8) no Bora Salvador da BandNews FM:

Foto: Band Bahia

Zé Ronaldo, no pós-luto, a peso de ouro

Preterido da escolha da vice de ACM Neto (UB), novela arrastada ao longo da última semana, o ex-prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (UB), apesar de ter saído com fogo pelas ventas da Avenida Garibaldi no dia do anúncio de Ana Coelho (Republicanos), adotou o voto de silêncio sobre os rumos futuros. Várias teorias foram lançadas, mas a oficial versa pela prioridade do Republicanos de Márcio Marinho a partir de um acordo nacional conduzido por Neto.

Alimentado pela esperança de fazer parte da composição da majoritária netista, mesmo sabendo que seu maior pecado foi ter não saído do partido, Zé do Sertão, como também é apelidado, se sentiu desprestigiado. Nomes do carlismo como o ex-governador Paulo Souto, o ex-deputado Emério Resedá, os deputados Sandro Régis e Arthur Maia foram alguns dos emissários flagrados em um restaurante da capital baiana na tentativa de demover qualquer sinalização de rompimento.

Todos os adversários de Neto fizeram acenos confiantes no desgaste político. De Jerônimo Rodrigues (PT) a João Roma (PL). O candidato de Bolsonaro foi mais incisivo no gesto de cooptação e chegou a lembrar do fatídico debate da TV Bahia de 2018 quando Zé anunciou voto em Bolsonaro para presidência da República, o que deixou Neto uma arara na época. O senador Otto Alencar (PSD), em entrevista recente à Band FM de Feira de Santana, também fez elogios ao feirense, mas descartou conversar com a liderança neste momento para não soar como oportunismo.

O voto de Feira de Santana é pesado. A segunda maior cidade do Estado e segundo maior colégio eleitoral pode até não decidir uma eleição concretamente, mas tem força para mudar percursos. Sabedor disso, ACM Neto deixou claro que respeitaria o tempo de Zé Ronaldo. Questionado na coletiva da sua convenção sobre o político, sugeriu aos jornalistas que perguntassem ao próprio, em um aceno de não deixar qualquer palavra que pudesse ser utilizada em um outro tom.

Para os mais próximos do ex-prefeito de Feira, a tese não passa pelo mero fisiologismo dos cargos, mas pelo prestígio político da sua trajetória. Contudo, apesar de não ter procedido pela escolha, ACM Neto nunca deixou de elogiar o político e, creio, buscará uma alternativa para recompensá-lo de outra forma, ainda na campanha e quiçá, caso logre êxito, em uma futura gestão. Outro ponto levantado versa para um eventual benefício na peleja proporcional que beneficie dois nomes aliados na disputa da Assembleia Legislativa da Bahia e da bancada baiana na Câmara Federal, ambos em partidos da base netista.

Zé Ronaldo está a peso de ouro e sai grande diante de todo esse cenário e, creio, pode ainda não ter se dado conta disso. Se torna figura chave dos próximos dias que antecedem o início oficial da campanha na rua, conforme o calendário da Justiça Eleitoral. A conferir.

  • Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba; especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da UCSAL. Atualmente é comentarista de política e apresentador na Band Bahia e BandNews FM. Também é colunista do Band Notícias BA e do jornal Tribuna da Bahia. Twitter/Instagram: @victordojornal
Foto: Band Bahia

Comentário: em que pé está a vice de ACM Neto na cotação do conclave; ouça

Fumaça preta na chaminé do Edifício Central Pinheiro, na Avenida Garibaldi, sede do União Brasil, em Salvador. O conclave não foi fechado, palavras do deputado federal Adolfo Viana (PSDB) à coluna Esse é o Ponto ao deixar as negociações encerradas às 22h30 da terça-feira (2).

Não se chegou, no tabuleiro, ao resta um. Ainda três nomes estão no páreo: a vereadora de Serrinha Edylene Ferreira (Republicanos), o deputado federal Adolfo Viana (PSDB) e o ex-prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (UB). Os deputados Marcelo Nilo (Rep) e Márcio Marinho (Rep) estão descartados.

Buscam uma equação para não desamparar Nilo na viabilidade do seu mandato na Câmara Federal, visto que ele, tão confiante que seria o vice, distribuiu seus votos no mês passado.

O Republicanos é o principal empecilho para a resolução. A pedida da cadeira é deles. Querem insistir no nome de Edylene. Nesse cenário, pelo apurado, há um peso: a simpatia do prefeito de Salvador, Bruno Reis (UB). Essa tática pavimenta acordos que podem respingar em 2024 na disputa do Palácio Thomé de Souza.

Em dado momento da noite, os cardeais saíram da sala de ACM Neto em silêncio. São eles: Elmar Nascimento (UB), Leur Lomanto Júnior (UB), Paulo Azi (UB) e Adolfo. Esses quatro, conforme informações de bastidores, teriam argumentado em favor do tucano na ocupação da cadeira da vice no detrimento ao Republicanos. Todos, depois, rumaram para um restaurante na Graça para continuarem as conversas.

Zé Ronaldo (UB), amplamente especulado como nome já certo, seria um quadro de terceira via do consenso. Até então, o único partido que se opõe diretamente é a sigla da Igreja Universal. O ex-prefeito de Feira reúne todas as qualidades para o posto, mas cometeu o pecado de não sair do União Brasil. Uma chapa pão com pão, em um arco de nove siglas aliadas, soa, no mínimo, estranho na fotografia.

Na saída do edifício, ACM Neto (UB) e Bruno Reis (UB) garantiram que não havia nada decidido, pois ajustes ainda precisavam ser arranjados. Neto afirmou que a quarta-feira (3) seria longa.

Ouça o comentário no programa Bora Salvador da BandNews FM nesta quarta-feira (3):

Foto: Divulgação

Vídeo: abatido, Nilo publica vídeo após ser preterido da vice de ACM Neto

O deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos) publicou um vídeo extremamente abatido na manhã desta quarta-feira (3). Ele foi preterido da disputa da vice de ACM Neto (UB) na corrida pelo governo da Bahia.

Na publicação, Nilo afirma que andar acalma e pede orientação a Deus para passar “por esse momento difícil”.

De acordo com apuração da coluna Esse é o Ponto, o colegiado de deputado federais mais próximos a Neto, como Elmar Nascimento (UB), Paulo Azi (BU), Leur Lomanto Júnior (UB) e Adolfo Viana (PSDB), a pedido do ex-prefeito de Salvador, busca alternativas para poder ajudar o colega parlamentar.

Nilo rompeu com o grupo do governador Rui Costa (PT), desembarcou na claque de ACM Neto e tinha a predileção pela cadeira do Senado, esta depois ocupada com por indicação do PP. Lhe restou lutar pela vice, algo que não foi concretizado.

Veja o vídeo:

Foto: Band Bahia

Comentário: Ausência de candidato no debate desagrega o processo democrático; ouça

O debate é um momento precioso do processo eleitoral. A ausência de um candidato desagrega a festa da democracia e do jogo benigno da troca de ideias. A Band, com seu compromisso jornalístico, realiza o primeiro debate com os postulantes ao governo da Bahia no próximo domingo, dia 7, 21h.

O pré-candidato ACM Neto (UB) não mandou representante para a última reunião e não confirmou presença, mas pode procedê-la até a sexta-feira (5). Apesar de dizer que não acrescentaria a sua campanha a ida, para o processo democrático, de fato, acrescenta.

O senador Alessandro Vieira, de Sergipe, apresentou um projeto de lei oportuno de obrigar os candidatos a presidência e ao governo de participarem dos debates com riscos de serem penalizados.

Ouça o comentário da coluna Esse é o Ponto no Bora Salvador desta terça-feira (2), na BandNews FM:

Foto: Reprodução / ALBA

Presidente da Assembleia busca acordo para votação da pensão dos militares

O presidente Adolfo Menezes defendeu, na terça-feira (2), o estabelecimento de conversas capazes de viabilizar a votação rápida do projeto 24.532/2022, que estabelece novas regras para a concessão dos benefícios de pensão de militares baianos. A procura de entendimento é a própria essência da ação parlamentar, lembra ele, pois “tudo que está ao meu alcance, que é pautar a matéria pra votação, já estou fazendo”.

Porém, a apreciação da matéria só acontecerá depois que as lideranças do governo e da oposição chegarem a um acordo, para que as viúvas dos militares falecidos em 2022 possam receber as suas pensões, pois as contas dessas famílias não podem esperar. Ele lembra que o Tesouro tem os recursos para pagar o benefício, “mas é preciso somente aprovar a lei estadual”.

O presidente da ALBA acrescenta que o governo estadual está apenas se ajustando a legislação da Bahia à federal, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada. A votação do PL já foi adiada três vezes, desde abril, por desacordo entre as bancadas do governo e da oposição – daí a urgência da busca de um acordo que permita às viúvas receber o benefício a que fazem jus.

Foto: Band Bahia

ACM Neto, o PT e o acordo do fim do mundo na Bahia

Não se falou em outro assunto nos últimos dias do que a possibilidade do União Brasil, partido de ACM Neto (UB), declarar apoio oficial ao ex-presidente Lula (PT) na corrida presidencial. Seria uma espécie de acordo do fim do mundo. O assunto reverberou quando a imprensa nacional apontou o pedido da eventual retirada da candidatura de Jerônimo Rodrigues (PT) em troca desse auxílio rascunhado.

Nos bastidores da convenção petista no Parque de Exposições, no sábado (30), não havia outro tema no pé do ouvido; na coletiva com os candidatos, Rui Costa (PT) vociferou e provocou, com razão, contra os adversários ao ponto de não deixar espaço nem ao candidato a governador responder sobre o tema. “Se quiser ser governador, tem que disputar a eleição. Eu sei que está sendo difícil andar pelo interior. Está sendo fiasco atrás de fiasco. Não tem jeito de ser governador sem disputar a eleição”, berrou o ainda chefe do Executivo.

Se, de fato, ACM Neto esteve por trás desse movimento, deu um tiro no pé, principalmente pela munição dada aos adversários mais fervorosos que não mediram os ataques. Outro extremamente irritado com a repercussão foi o senador Jaques Wagner (PT). O petista aponta, acertadamente, na linha lógica, que se o assunto tivesse prosperado, iria escancarar uma falta de confiança de vitória daquele que tem liderado as pesquisas de intenção de votos até então. Se a garantia da campanha está posta, o tapetão não se faz necessário.

Outra hipótese aventada por uma corrente do próprio UB contrária ao apoio a Lula justifica que Neto poderia ter feito a ponderação baiana para justamente a negociação não avançar, jogou o valor mais alto do avaliado, visto ser o interesse dele manter o partido neutro da contenda presidencial, pois atrapalha sua estratégia e modificaria seu discurso.

Durante esse meio tempo das notícias e das conversas com algumas fontes, analisei ser muito difícil conceber a retirada da candidatura do PT ao governo da Bahia, por mais que o cenário nacional estivesse em jogo. Era jogar na lata do lixo todo o trabalho realizado até aqui. Cenários inimagináveis, difícil até para as previsões à lá Madame Beatriz.

Seria uma intervenção absurda por parte do nacional ceder esse tipo de pressão de “pseudoaliados”, apesar de todos saberem da preocupação de Lula somente com a sua eleição. Deflagrariam um tiro no peito de um diretório do PT do estandarte da oposição durante esses quatro anos, locomotiva do Nordeste e meca do partido quando se precisa mostrar cases de sucesso em pelejas eleitorais acirradas no xadrez regional. O PT nacional precisou emitir uma nota para desmentir o caso baiano tamanha a repercussão.

Ficou exposta a contenda interna do União Brasil, entre Luciano Bivar e Neto. Como bem apontou o Valor no fim de semana, isso só mostra a queda de braço interna que se avizinha em 2023. Bivar, abdicador da corrida ao Planalto, tinha o interesse de caminhar em cima de pau e pedra em apoio a Lula com olhos na presidência da Câmara Federal no próximo ano e, mais do que isso, realizar um desejo pessoal de derrota ao bolsonarismo, fato não consumado.

No fim das contas, diante da celeuma, na Bahia, tudo como dantes no Quartel d’Abrantes. Todo mundo segue no seu quadrado para jogo, apesar de uma boa sacudida na roseira.

  • Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba; especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da UCSAL. Atualmente é comentarista de política e apresentador na Band Bahia e BandNews FM. Também é colunista do Band Notícias BA e do jornal Tribuna da Bahia. Twitter/Instagram: @victordojornal
Foto: Band Bahia

Comentário: Nilo é alvo da militância do PSOL; ouça

O deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos) tem vivido uma inferno astral. Após ter sido preterido da vice de ACM Neto (UB), ele agora é alvo da militância do PSOL. Pressões virtuais têm sido feitas contra o deputado baiano, pois ele é o relator da representação no Conselho de Ética da Câmara Federal que pede a cassação do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) após uma discussão com o presidência da Câmara Federal, Artur Lira (PP-AL). Cards e comentários em publicações de Nilo nas redes sociais surgem aos montes.

Ouça a coluna Esse é o Ponto no Bora salvador da Rádio BandNews FM:

Imagem: Reprodução / Câmara Municipal de Campo Formoso

Vereadora é escolhida para a segunda suplência de Otto Alencar

O senador Otto Alencar (PSD), em conversa com a coluna Esse é o Ponto na manhã desta sexta-feira (29), confirmou o nome que vai compor a segunda suplência da sua futura chapa. Se trata de uma vereadora da cidade de Campo Formoso, Hildinha Menezes (PSD). Ela é irmã do deputado estadual Adolfo Menezes (PSD), presidente da Assembleia Legislativa da Bahia.

“Municipalizei. O primeiro é ex-prefeito e a segunda vereadora”, brincou Otto Alencar durante a conversa.

O primeiro que ele se refere é Terence Lessa (PT), ex-prefeito de Ibotirama. O petista foi o escolhido na mesa de negociação para ocupar o posto de “vice” do Senado, apesar de toda a confusão causada no PCdoB e no PV.

Os nomes de Alencar, Lessa e Helia serão homologados na convenção de Jerônimo Rodrigues (PT) que acontece neste sábado (30), no Parque de Exposições.

Foto: Band Bahia

Comentário: nova briga pela vice de ACM Neto bagunça o coreto; ouça

Quem achava que Marcelo Nilo (Republicanos) seria o escolhido para vice de ACM Neto (UB) caiu do cavalo, inclusive esse colunista. Numa postura Band News que em um segundo tudo pode mudar, o cenário da composição sofreu uma balançada de coreto e novos nomes surgiram na disputa.

Confira a coluna Esse é o Ponto com o jornalista Victor Pinto que foi ao ar no Bora Salvador da BandNews FM:

Foto: Band Bahia

Comentário: Lídice quer aproximar Alckmin do PIB da Bahia; ouça

Tão logo entrou no PSB, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, era tido como um estranho no ninho. O político faz parte da chapa do ex-presidente Lula (PT) na corrida presidencial deste ano. Querendo aproximação e fazer a ponte do novo colega de partido com a Bahia, a senadora Lídice da Mata (PSB) vai se encontrar com Alckmin nesta semana, em Brasília. Quer aproximá-lo ao empresariado baiano.

Confira o comentário na coluna Esse é o Ponto no Bora Salvador desta terça-feira (26):

Imagem: Band Bahia

Vídeo: Luiz Caetano explica porque João Roma é um problema de ACM Neto

O entrevistado da segunda-feira (25) do Boa Tarde Bahia foi o secretário das Relações Institucionais do governo Rui Costa, Luiz Caetano (PT). O petista também assumiu a coordenação da futura campanha de Jerônimo Rodrigues (PT) ao governo do Estado.

Em dado momento da entrevista, questionado se a candidatura de João Roma (PL) beneficiaria, indiretamente, Jerônimo, pelo fato do bolsonarista minar o voto em ACM Neto (UB), Caetano ironizou. “Roma é problema de Neto e Neto é problema de Roma”.

Questionado o motivo, respondeu: “Os dois vieram da mas linhagem política e o Roma teve capacidade e coragem de assumir que é bolsonarista. Neto é genérico. Roma é mais original. (…) Penso que com os votos do presidente vai para Roma e óbivio que murcha ACM Neto e cresce Jerônimo. É possível que fique Roma no segundo lugar”.

Veja o trecho:

Foto: Band Bahia

Como tirar um sorriso de Rui Costa

O governador Rui Costa (PT) segue animado com a possibilidade de Lula (PT) ser presidente da República e assim fazer parte da composição da Esplanada dos Ministérios, algo não escondido das declarações do cacique petista.

Foram várias as vezes que Rui fez questão de citar a conversa com o ex-presidente e dizer que estava preparado para criar suas galinhas – que estão no Palácio de Ondina – em uma fazenda no interior baiano. Lula, narra o governador, de pronto, disse que ele teria ainda muito a contribuir com o Brasil.

Mas a relação dos dois não foi só de paz. Quando esteve preso, na sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR), Lula ficou possesso com as declarações de Rui na imprensa de repercussão nacional sobre um processo de renovação do PT. Nas entrelinhas, na época, inclusive escrevi um artigo apoiando o ponto de vista do governador, era necessário pensar em novos quadros da sigla para promover um novo ciclo. Rui se portava como um estandarte do movimento, pois tinha a esperança de ser candidato a presidente. Resultado: não colou e Lula está vivíssimo ainda segurando o PT.

De lá pra cá, muitos cenários mudaram e os dois, pelo visto, apararam as arestas. Os encontros, sem intermediários, foram mais frequentes. Rui, no Nordeste, assumiu um protagonismo necessário nesse tempo bolsonarista no Planalto. O PT conseguiu se manter com base firme, no grosso considerável do eleitorado nordestino, apesar das lideranças do eixo do sudeste se acharem os paladinos da política e olharem para a região como ameaça à hegemonia que sempre predominou do ABC Paulista.

Depois desse preâmbulo, vamos à história que nutriu o título desse artigo: dois deputados, na Assembleia Legislativa, conversavam sobre suas viagens para o interior nos eventos governistas. Eu presenciei e acompanhei atentamente esse bate-papo. Um deles afirma: “Descobri o melhor modo para tirar um sorriso de orelha a orelha de Rui”. O outro: “Então me conte essa proeza”. O primeiro explicou: “Essa história de chamar o cara de governador, já no final de mandato… Eu já chamo ele de ministro. Ele fica cheio de vida. Ele está vindo de lá e eu já digo de boca cheia: ‘Diga, Ministro!’. Pronto. Felicidade na certa”. Todos caíram na gargalhada.

A sobrevivência política de Rui depende de dois fatores. As eleições de Jerônimo Rodrigues ao governo e de Lula ao Planalto. Mais de Lula do que de Jerônimo.

Vejamos: quatro cenários possíveis. 1. Jerônimo ganha e Lula ganha; ou 2. Jerônimo perde e Lula ganha. Esses são os dois melhores cenários para Rui, principalmente o primeiro. 3. Jerônimo ganha e Lula perde. Aqui o desenho não é tão bom, Rui teria que se tornar alguém dependente do seu sucessor, e onde criador e criatura estão a tendência de dar briga é alta. 4. Jerônimo perde e Lula perde. O pior desenho de todas as cartas na mesa para ele. Ser candidato a prefeito de Salvador em 2024 é uma saída para tentar ficar vivo na política.

A forma intensiva do trabalho do governador nas eleições dará o tom do compasso seguido pela chapa majoritária. Peças do xadrez ligadas diretamente a Rui já estão no tabuleiro. Será, para ele, um jogo de tudo ou nada, inclusive para tentar ser um criador com sua criatura, do mesmo modo daquilo feito por Jaques Wagner (PT).  Inclusive o próprio JW, em entrevista à Band Bahia, disse que entre os dois optaria por seu afilhado na indicação de um eventual ministério de Lula. A conferir.

  • Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba; especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da UCSAL. Atualmente é comentarista de política e apresentador na Band Bahia e BandNews FM. Também é colunista do Band Notícias BA e do jornal Tribuna da Bahia. Twitter/Instagram: @victordojornal
Foto: Band Bahia

Comentário: Caetano no comando da campanha de Jerônimo gera apreensão de deputados; ouça

Na coluna Esse é o Ponto, no programa Bora Salvador da rádio Band News FM desta quinta-feira (21), o jornalista Victor Pinto comenta a futura saída de Luiz Caetano da secretaria das Relações Institucionais para a coordenação de campanha de Jerônimo Rodrigues (PT) ao governo da Bahia. Alguns deputados estão apreensivos com esse poder todo, pois a esposa do ex-prefeito de Camaçari, Ivoneide, é pré-candidata a deputada federal.

Ouça o comentário: