Foto: Band Bahia

ACM Neto, o PT e o acordo do fim do mundo na Bahia

Não se falou em outro assunto nos últimos dias do que a possibilidade do União Brasil, partido de ACM Neto (UB), declarar apoio oficial ao ex-presidente Lula (PT) na corrida presidencial. Seria uma espécie de acordo do fim do mundo. O assunto reverberou quando a imprensa nacional apontou o pedido da eventual retirada da candidatura de Jerônimo Rodrigues (PT) em troca desse auxílio rascunhado.

Nos bastidores da convenção petista no Parque de Exposições, no sábado (30), não havia outro tema no pé do ouvido; na coletiva com os candidatos, Rui Costa (PT) vociferou e provocou, com razão, contra os adversários ao ponto de não deixar espaço nem ao candidato a governador responder sobre o tema. “Se quiser ser governador, tem que disputar a eleição. Eu sei que está sendo difícil andar pelo interior. Está sendo fiasco atrás de fiasco. Não tem jeito de ser governador sem disputar a eleição”, berrou o ainda chefe do Executivo.

Se, de fato, ACM Neto esteve por trás desse movimento, deu um tiro no pé, principalmente pela munição dada aos adversários mais fervorosos que não mediram os ataques. Outro extremamente irritado com a repercussão foi o senador Jaques Wagner (PT). O petista aponta, acertadamente, na linha lógica, que se o assunto tivesse prosperado, iria escancarar uma falta de confiança de vitória daquele que tem liderado as pesquisas de intenção de votos até então. Se a garantia da campanha está posta, o tapetão não se faz necessário.

Outra hipótese aventada por uma corrente do próprio UB contrária ao apoio a Lula justifica que Neto poderia ter feito a ponderação baiana para justamente a negociação não avançar, jogou o valor mais alto do avaliado, visto ser o interesse dele manter o partido neutro da contenda presidencial, pois atrapalha sua estratégia e modificaria seu discurso.

Durante esse meio tempo das notícias e das conversas com algumas fontes, analisei ser muito difícil conceber a retirada da candidatura do PT ao governo da Bahia, por mais que o cenário nacional estivesse em jogo. Era jogar na lata do lixo todo o trabalho realizado até aqui. Cenários inimagináveis, difícil até para as previsões à lá Madame Beatriz.

Seria uma intervenção absurda por parte do nacional ceder esse tipo de pressão de “pseudoaliados”, apesar de todos saberem da preocupação de Lula somente com a sua eleição. Deflagrariam um tiro no peito de um diretório do PT do estandarte da oposição durante esses quatro anos, locomotiva do Nordeste e meca do partido quando se precisa mostrar cases de sucesso em pelejas eleitorais acirradas no xadrez regional. O PT nacional precisou emitir uma nota para desmentir o caso baiano tamanha a repercussão.

Ficou exposta a contenda interna do União Brasil, entre Luciano Bivar e Neto. Como bem apontou o Valor no fim de semana, isso só mostra a queda de braço interna que se avizinha em 2023. Bivar, abdicador da corrida ao Planalto, tinha o interesse de caminhar em cima de pau e pedra em apoio a Lula com olhos na presidência da Câmara Federal no próximo ano e, mais do que isso, realizar um desejo pessoal de derrota ao bolsonarismo, fato não consumado.

No fim das contas, diante da celeuma, na Bahia, tudo como dantes no Quartel d’Abrantes. Todo mundo segue no seu quadrado para jogo, apesar de uma boa sacudida na roseira.

  • Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba; especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da UCSAL. Atualmente é comentarista de política e apresentador na Band Bahia e BandNews FM. Também é colunista do Band Notícias BA e do jornal Tribuna da Bahia. Twitter/Instagram: @victordojornal