Foto: Felipe Oliveira / E.C. Bahia

A maior Série B da história é um fiasco?

Dezenove rodadas se passaram na Série B do Brasileirão e a impressão geral é de que os quatro promovidos à elite já estão definidos. Cruzeiro, Vasco, Bahia e Grêmio formam o G4 da competição, que está cinco pontos acima do Tombense, quinto colocado. A falta de competitividade na luta pelo acesso decepciona quem esperava uma disputa acirrada na maior Série B de todos os tempos. Os vinte participantes do campeonato somam 14 títulos do Brasileirão, 14 da Copa do Brasil e seis da Libertadores. Algo nunca antes visto na segunda divisão. Porém, alguns elementos explicam o letárgico enredo que se desenha na edição mais aguardada da história da Série B. A começar pelo mau desempenho de todos outros clubes que tinham potencial para ameaçar a folga do atual G4.

O Sport, principal candidato, até largou bem na disputa, mas venceu apenas uma vez nas últimas nove rodadas e caiu para o sexto lugar. Campeã em 2020 e promovida de imediato em 2013, a Chapecoense chegou à segunda divisão com o peso de uma especialista na disputa, mas amarga o 13º lugar, com somente dois pontos de folga para a zona de rebaixamento. Logo abaixo, está a Ponte Preta. Rebaixada no Paulistão deste ano, a Macaca já entrou na competição sob desconfiança e fez valer todo o ceticismo. Com seis jogos de invencibilidade no fim do turno, a equipe sonha com uma reação para ao menos fugir da luta contra a degola. 

No Z4 estão CSA, Náutico, Guarani e Vila Nova. Com exceção da equipe goiana, todos outros três eram cotados para a primeira página da tabela. Quinto colocado em 2020 e em 2021, o CSA vive uma derrocada espantosa. Campeão pernambucano e candidato ao acesso no ano passado, o Náutico veio com menor expectativa à disputa neste ano, mas está surpreendendo na irregularidade. Já o Guarani, sexto colocado da edição passada, fez boa campanha no Paulista e entrou na Série B como candidato ao acesso, mas conseguiu se atrapalhar logo cedo com as trocas no comando técnico.

Desta forma, sobram para a primeira página da tabela equipes com pouco gás para brigar com um G4 que pontua mais que a média histórica até a virada do turno. Além disso, do quinto ao décimo sexto colocado, todos estão pontuando menos que a média histórica das suas posições.

Como se não bastasse o desequilíbrio do G4 diante do restante da Série B, o nível técnico das partidas também não empolga. Com 1,79 gols por jogo, a edição tem a pior média de gols da história da Série B de pontos corridos. O excesso de empates também impressiona. São 69 em 190 jogos, o que representa mais de um terço dos jogos disputados. Destes, 32 foram por 0 a 0. Até aqui, a frustração é inevitável.

Mas nem tudo está perdido. Há todo um segundo turno pela frente. Com o panorama que temos hoje em mãos, temos pelo menos duas boas notícias para dar. A primeira é que com tantas camisas tradicionais cambaleando na tabela, é bem capaz de termos uma briga interessante contra o rebaixamento na reta final. E a segunda é que, por toda a expectativa criada, é difícil piorar.

  • William Tales Silva, Jornalista. Repórter de esportes da TV Band Bahia. Autor do livro “[VAR] – A história e os impactos da maior mudança na aplicação das regras do futebol”, o primeiro sobre o árbitro de vídeo no Brasil, pela editora Footbooks/Corner. Já foi apresentador do Jogo Aberto da BandNews FM Salvador e teve oportunidades como apresentador do Jogo Aberto Bahia e comentarista da Série C do Brasileirão na TV Band Bahia.